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    Somos Todos Igualmente Diferentes


    O lado “ruim” do IC

    Notem que o ruim está entre aspas, porque o IC foi o que libertou a minha alma ouvinte e fez com que o corpo correspondesse ao que ela sente. É uma alma sedenta por sons, sedenta por querer ouvir cada barulhinho por mais simples ou bobo que possa parecer para alguém. O que poderia ser ruim então se minha alma recebe aquilo que ela precisa pra se alimentar?

    Quando você é implantado e começa a ouvir, e um turbilhão de sons, você simplesmente não consegue separa-los. Me lembro que quando era ouvinte, se eu estivesse vendo TV, poderia passar uma escola de samba na rua que eu filtraria e continuaria vendo a TV, se os vizinhos davam festas, eu filtrava a barulheira e dormia tranquilamente, mas agora não consigo filtrar. Meus ouvidos desaprenderam a ouvir, estão reaprendendo, e com isso, precisarão reaprender a filtrar sons.

    Se eu estou vendo TV e minha tia vem falar comigo, não consigo me desconectar do som da TV pra ouvi-la, eu ouço as duas coisas ao mesmo tempo. Fica um emanharado de sons. No CIR aonde faço minha fonoterapia, as vezes a molecada começa a gritar nos outros consultórios e o som logo me atrapalha a entender o que a Aline me fala, muitas vezes ela não percebe o som vindo por questão de costume, eu tento filtrar, apanho pra entender o que ela fala, mas tento me desligar do som que vem de fora.

    Claro que estou apenas no “começo” da terapia, estamos ainda trabalhando os fonemas que tenho dificuldade, começamos a trabalhar frases mais longas e complexas, e ela disse que depois vai ter uma parte da terapia em que terei mais sons pra ouvir além da fala, e isso me ajudará a aprender a filtrar. Enquanto isso, tento sozinha em casa (sou persistente, isso ajuda muito no que faço na terapia depois, mas esse será um assunto pra outro post).

    Então, embora esteja extremamente feliz e realizada em voltar a ouvir, esses  turbilhoes de sons me deixam meio maluca às vezes, mas isso não torna a experiência nem um pouco desagradável, e se soubesse de tudo isso antes, teria ido atrás do IC logo quando Anahí comentou que eu deveria.

     

    Beijos a todos.Jóia 



    Escrito por Diefani Piovezan às 18h04
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    Histórias

    Renascendo 

    Para quem tem qualquer limitação, em menor ou maior grau, sendo a limitação leve ou profunda, sabe bem o que é poder voltar ao mundo dos ditos “normais”, foi pensando nisso, e com uma cirurgia para curar a miopia, que minha amiga Ingrid Souza, escreveu o relato a seguir especialmente pro Somos Todos Igualmente Diferentes.

     

    “Desde que eu conheci a Diéfani, sempre escutei sobre as cirurgias e procedimentos. Mesmo ouvindo com bastante atenção, eu sentia que faltava empatia, pois eu nunca havia feito nenhuma cirurgia. Eu acredito que a empatia seja importante porque me ajudaria a entender o que ela passava com a cirurgia dela.

    Eu era míope e depois que minha irmã fez uma cirurgia refrativa (lasik) eu comecei a cogitar a possibilidade de fazer em mim. Mas eu sempre fui uma medrosa quando o assunto é deixar o meu corpinho nas mãos dos médicos.

    Como meu grau aumentava muito rápido (cerca de um grau por ano), resolvi trocar meus óculos veios de guerra por um par de lentes gelatinosas. Eu até já tinha tentado usar lente antes, mas eu sempre fui desastrada... Dormia várias noites com lente, perdia.... Enfim.. era uma novela. Mas a estética falou mais alto e eu não ia usar fundo de garrafa.

    Para variar, essa carniça (a lente) sempre me deu trabalho, meu olho vivia vermelho, o povo já achava que eu tava usando drogas. Sempre que eu tava quentinha na cama, tinha que levantar pra tirar a lente.

    Foi quando do nada, decido fazer a tal da cirurgia. Tudo começa com a consulta oftalmológica e para variar, meu médico chegou atrasado. Ele é muito frenético e me atendeu já na correria, porque eu já tinha quase perdido minha manhã. Aí eu falei: - Doutor, eu quero fazer a cirurgia. Na hora ele já pediu que eu fizesse exames para saber se minha córnea aguentava o tranco.

    Não me lembro do nome do exame.. eu só sei que o homem pingou um colírio anestésico no meu olho e disse que eu não ia sentir nada. Pois é dor eu não senti não, mas a agonia já começou ali. O cara veio e começou a passar uma caneta dentro do meu olhinho, foi ruim. Daí eu comecei a pensar no que estaria por vir.

    Voltei pro consultório e o doutor disse que eu estava apta e já queria fazer na mesma semana. Aí eu segurei a onda e marquei a cirurgia para depois da minha formatura e da formatura da minha irmã e depois da viagem a Salvador, (eu ainda não conhecia o mar) e depois da cirurgia são 30 dias longe das águas...

    Aí a mulher que marcou a cirurgia me liga às 08 e pouco da manhã (eu estou em coma profundo a essa hora). Ela me passou todos os detalhes da cirurgia e como eu estava dormindo aceitei tudo e desliguei. A melhor forma de descobrir algo sobre mim é me ligar quando tô dormindo, eu falo tudo. Aí acordei com aquela sensação que tinha falado algo importante.

    Enfim.. com a lembrança vaga de que a cirurgia seria no dia 20, descobri que ela liga um dia antes confirmando. Cheguei lá no dia 20/05 para acabar logo com essa agonia. Fiz o trajeto olhando bem para tudo. Fui com pensamento positivo, mas nunca se sabe.

    Cheguei no local, meu médico se atrasou de novo. E eu que já estava nervosa já tava quase colocando um ovo. Enfim, colírio anestésico de novo, roupinha azul, touquinha e sapatinho isolando meu tênis, entrei na sala.

    Não consegui prestar atenção em nada e já fui deitando na caminha de tortura. Começaram os preparativos. O assistente colocou uma espécie de fórfceps para manter meu olho aberto e meu médico pediu que eu ficasse olhando o tempo todo para a luz vermelha ou a verde que ficava piscando.

    Enquanto o olho direito era preparado o assistente dizia pra eu abrir o esquerdo que ajudaria a manter o olho direito aberto. O médico falava pra eu não piscar, mas isso é praticamente um movimento involuntário, ainda mais quando tem alguém mexendo dentro do seu olho. Nisso meu olho esquerdo que estava tampado com uma gase lagrimejava mais do que quando chorei pelos meus relacionamentos fracassados. Meu olhinho devia estar pensando (pobrezinho do meu irmão, o que estão fazendo com ele).

    Do nada o médico joga um jato de soro e depois veio passando algo para limpar que me matou de agonia, e o médico sempre mandava que eu ficasse olhando pro ponto vermelho. Depois disso ele coloca um aparelho estranho que escureceu toda a minha vista. Neste momento, não tinha mais como voltar atrás, eu só senti uma pressão forte, pensei que ele fosse espremer meu olhinho. Quando ele finalmente tirou o troço estranho, ele passou algo pelo meu olho e eu vi a pequena ‘membrana’ sendo levantada.. Meu olhinho estava totalmente exposto a poluição do mundo, e lá veio o médico passando o algo dentro do meu olho nu e cru, literalmente.

    Chegado o momento tão esperado. O médico me fala assim: - Fica olhando para a luzinha vermelha e não mexe o olho que vamos colocar o laser agora. E eu pensei, puts depois disso tudo agora que vai colocar o laser, já tava P* da vida, não tava vendo nenhuma luz, fiquei com o olho imóvel para num estragar  meu olhinho. São 30 segundos com laser diretamente no olho, eu via fragmentos do laser passando e senti um cheiro de carne queimada (foi a pior parte). Aí acabou, ele colocou a ‘membrana’ no lugar e eu começou a preparar o outro olho.

    Foi a mesma coisa, tirando que assim que ele acabou com o olho direito, eu quis levantar e não deixar ele molestar meu olhinho, eu podia viver muito feliz com lente, eu estava machucando meus olhos e com consciência disso! Não queria mais aquela agonia e comecei a ficar numa situação de estresse. E isso complicou porque na hora do laser eu mexi o olho e ele teve que parar me arrumar e voltar ao procedimento.

    Quando ele acabou e soltou meus olhinhos eu fechei e não queria que ninguém mais tocasse neles. Aí a enfermeira foi me conduzindo até a porta e disse que eu podia abrir os olhos. Quando eu abri os olhos a porta estava aberta e eu não consegui ver nada, era muita claridade. Tudo embaçado, me senti um prisioneiro da caverna de Platão quando consegue sair da caverna. Só consegui sentar porque reconheci a silhueta da cadeira, eu tentava abrir o olho e lagrimejava demais, por causa da claridade e porque eles foram molestados demais.

    Aí quando o médico acabou a última cirurgia, veio nos dar as orientações e olhar no olho (trocadilho idiota) para ver se algo estava errado. Rezei pra sair logo de lá, só pensava na escuridão do meu quarto. Coloquei os óculos escuros e fui pra casa. Quando deitei na minha cama, me senti muito melhor, só que não podia dormir nas 5 primeiras horas e a cirurgia foi às 10 e pouco, ou seja, eu estava com sono, lutei bravamente nos primeiros 5 minutos e me rendi ao sono, porém de 5 em 5 minutos minha mãe vinha me chamar pra saber se eu estava dormindo.

    O resto da recuperação foi muito tranquilo, no primeiro dia me privei de qualquer tipo de luz, na manhã seguinte, fui retirar a lente que estava protegendo o olho e já fui acostumando com a claridade, no domingo já conseguia enxergar sem auxílio de lentes nem nada. Segunda-feira já fui trabalhar, mas usando óculos escuros na frente do Pc, não quero gastar meu olhinho novo em folha assim tão rápido.eehehe A recuperação total fica em torno de 2 meses, 30 dias sem piscina, 7 dias sem álcool L e muito colírio.

    Quando saí para trabalhar, tive uma sensação, parece que eu era cega e fiz transplante de córnea, senti uma emoção tão grande, olhar paras as coisas e pessoas e saber que estou olhando sem ajuda de mecanismos, novas descobertas, me apaixonei de novo pelas luzes da cidade à noite.

    E por isso que eu descrevi essa experiência tão detalhada, quando pensei na parte desagradável da cirurgia, a recuperação e olhar tudo com meus ‘novos olhos’  eu tive um insight. Pude finalmente ter maior empatia lembrando dos relatos da cirurgia do meu peixinho e por isso eu quis que ela fosse uma das primeiras a saber dessa minha experiência, é uma forma de estar mais perto dela. Beijinhos”

     

    E assim, graças à tecnologia, mais uma pessoa tem algo que lhe foi devolvido, Ingrid, espero que sua recuperação seja ótima. E que seus olhinhos fiquem 100% bons.

    E espero que meus caros leitores, tenham gostado do relato. Afinal, é mais alguém que renasce.

    Beijos à todos. Jóia



    Escrito por Diefani Piovezan às 22h56
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    Avulso

    Queridissimos

     

    Olha que legal, que o IC está a mil por hora todo mundo já sabe né? Mas, a maioria dos paciêntes do Centro Integrado de Rabilitação HERP, que é aonde eu faço fonoterapia, são crianças, há alguns adolescentes que  nasceram surdos, mas na minha idade e que perdeu a audição já "velha" (porque eu só tinha 14 anos) e que sabe e ainda se lembra como é a audição normal e que o IC chega bem próximo, acho sou só eu mesmo. Então a minha fono que se chama Aline e e a professora dela, não sei qual delas (a fono com quem faço a terapia é estudante do 4º ano, e acho  mais legal e prático ainda com ela, porque ela também tem uma prima surda rs) me pediram pra conversar com uma paciente, dia 25. Acho que ela nasceu surda, aparentemente está querendo ser implantada, mas está com medo, é b em capaz que o medo seja porque ouve AQUELAS mentirinhas por ai. Então me pediram pra falar com ela, falar sobre a minha experiência e tudo mais, pra ver se ela se tranquiliza em fazer. 

    Vai ser bem interessante, porque eu também tinha medo, MORRIA, não pelas coisas que ouvia, mas é porque eu tinha medo de qualquer cirurgia mesmo. Nunca havia levado nem um ponto na vida, quem dirá um corte "enorme" na cabeça. E quem começou a tirar esse medo bobo de mim foi a Anahí, logo depois apareceu a Lak que foi operada. Ai eu pensei "Gente, minha mãe já passou por 9 cirurgia e foi bem tranquilo em todas, porque daria errado UMA em MIM, sendo que o procedimento é simples?" Então lá fui eu fazer. Espero ajudar essa paciente a perder o medo também. Afinal, ouvir é uma DELICIA. 

    Beijos a todos Jóia




    Escrito por Diefani Piovezan às 18h41
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    IC

     

    3º Mapeamento.

    Antes de mais nada, quero deixar claro o motivo de eu ter sumido. Eu estava com a mão esquerda engessada até os dedos. O motivo?  Cheguei da faculdade, minha tia me confundiu com um ladrão e prensou minha mão na porta. Se doeu? FEITO INFERNO.

    Bom, fiz o 3º mapeamento, e estou amando o IC cada dia mais. Consigo ouvir música novamente, na terapia a fonoaudióloga só fala comigo sem mostrar a boca, e mesmo que com um pouco de dificuldade, eu consigo entender o que ela diz.

    Se a surdez um dia me tirou certas coisas, o IC as devolveu, e cada som, cada coisa nova descoberta é uma choradeira sem fim. Cada vez que consigo assistir vídeos sem legenda e sem fones de ouvido no Youtube eu choro. Choro mesmo, sem vergonha disso, só quem um dia foi privado de ouvir e teve os sons devolvidos sabe o que quero dizer.

    Pode ser o som mais bobo do mundo, carros passando, passarinhos cantando, motos buzinando, ou uma música completa, são coisas que me foram devolvidas. Eu aceitava a minha surdez muito bem, e se não houvesse jamais algo que pudesse devolve-la eu continuaria a aceita-la, mas agora sou cada vez menos limitada, cada vez mais capaz.

    Cada dia que passa é uma nova conquista, e cada dia que passa estou melhor, graças a Deus a minha reabilitação está sendo rápida, talvez pelo fato de minha memória auditiva ser ótima, mas pode também ser pela força de vontade que tenho de ouvir. Se alguém está ao meu lado, ou de costas pra mim, basta falar mais alto do que o normal, que consigo entende-las, não tem dinheiro no mundo que pague essa sensação de realização.

    Claro que nem tudo são flores, mas essa parte, fica pra um outro post, numa outra época, um outro mês, um outro dia. Por enquanto, fiquemos apenas com as boas noticias ;)

    Beijos a todos Jóia

     

     



    Escrito por Diefani Piovezan às 18h30
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